sábado, 4 de junho de 2011

O risco de vida, o comandante geral e os interesses dos oficiais



Estive ontem, sexta-feira, dia 03, no Quartel do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) para participar da Formatura Geral, que agora vai acontecer toda a primeira sexta de cada mês. Fui não somente por causa da escala de serviço, mas ansioso para ouvir algo positivo sobre o processo de negociação do reajuste salarial. Fiquei decepcionado. Ouvi apenas justificativas vazias sobre o suposto reajuste que viria sobre a Etapa Alimentação (EA) proferidas pelo comandante geral da PM. Sou totalmente contra essa idéia advogada pelo coronel José Anastácio por um motivo muito simples, ela não contempla a categoria como ela merece.
Um dos pontos que ainda não ficou certo foi de quanto seria esse reajuste sobre a Etapa Alimentação. Hoje, a gratificação é de pouco mais de 300 reais. É difícil alguém defender essa gratificação para que ela compensasse o reajuste que um soldado, por exemplo, teria com a isonomia do risco vida, cerca de 500 reais. Isso seria bom para o governo e para os oficiais, não para as praças.
O governo com isso teria um percentual aberto para negociar, que pode ser muito inferior ao solicitado com o risco de vida e jogar as negociações para a “órbita” petista e por um tempo ainda maior. De que maneira os oficiais seriam favorecidos? Muito simples. Com a isonomia do risco de vida, quem seria mais favorecido são aqueles que ganham menos, ou seja, os soldados. Isso porque a diferença na gratificação é dada com base no posto e graduação, nesse caso, os oficiais seriam os servidores que menos ganhariam, diferente quando o assunto é a Etapa Alimentação. O governo com isso deixa de poupar o caixa do Estado para agradar os oficiais, que geralmente gritam com os subordinados e falam fino e pisando na ponta dos pés com membros do governo.
É aquela história, quem muito ganha sempre quer ganhar mais. A Etapa Alimentação representa um reajuste muito maior para oficiais. Um coronel, por exemplo, com os 15% receberia 1.500 reais a mais e devemos adicionar sobre esse valor suposto reajuste sobre a EA. O comandante geral da PM, coronel José dos Reis Anastácio, quando defende essa ideia mostra não somente o corporativismo que tem com os oficiais, mas assume também sua postura como presidente do Clube dos Oficiais. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Anastácio leva essa frase muito a sério, e tão a sério ao ponto de esquecer princípios cristãos de aprovar o valor diferenciado de uma vida, vidas pelas quais deveria ser responsável.
Aprovar a isonomia do risco de vida é uma maneira de o governo corrigir uma injustiça, fazer com que a moral e a ética prevaleçam, além de deixar a categoria disposta e parcialmente contente para continuar o excelente trabalho que desenvolve, mesmo ganhando um dos piores salários do Brasil. Com base nisso, a informação dada pelo deputado da base governista, deputado Moises Diniz (PCdoB), de que os oficiais são contra a isonomia do risco, reflete ser a mais pura e “puta” verdade.
 
Autor: Soldado do 4º BPM

6 comentários:

  1. Ou a isonomia do risco de vida (morte)ou vamos todos ficar presos GRAVE JÁ GREVE, JÁ, GREVE JÁ, GREVE JÁ.

    ResponderExcluir
  2. Excelente post, esse o sentimento de tds praças que estão se sentindo traidos pelos seus irmãos oficiais, que deveria caminhar junto conosco. Mas se o governo não dê a isonomia do risco de vida vamos requerer judicialmente. apesar de achar a proposta do escoleonamento mais vantajoso pra tds nós.

    ResponderExcluir
  3. A PMAC/CBMAC SÃO DOS OFICIAIS

    Quem é que ganha gratificação de Comando e Chefia?
    Quem é que tem carros a disposição?
    Quem é que tem celular a disposição?
    Quem é que tem notebook a sua disposição?
    Quem é que tem armas a sua inteira disposição?
    Quem é que recebe propina nas licitações?
    Quem é que faz maracutaia para serem promovidos?
    Quem é que...

    Enfim, a PMAC/CBMAC são verdadeiramente dos OFICIAIS

    ResponderExcluir
  4. Cap PM R/R Mário José Dias5 de junho de 2011 03:25

    Fico triste, pois cada dia que se passa vejo nossos Comandantes com estratégias que, de certa maneira, fomentam a insatisfação da tropa. Não querer a isonomia do risco e tentar desviar o foco para etapa de alimentação, "é jogar lenha na fogueira". Nunca vi o nível de insatisfação da tropa tal elevado como nos dias atuais.
    Pelo que sabemos Precisamos trabalhar a auto-estima do nosso pessoal, para isso é necessário uma ação de relações públicas que atinja todo o público interno, envolvendo além dos policiais, seus familiares e funcionários civis da PM. Isso se daria em atividade sociais e esportivas, em primeiro plano a nível de Btl e em segundo plano, a nível de Corporação, visando o restabelecimento do clima de confiança que estimule o bom desempenho no trabalho.
    Caríssimo Comandante, de imediato só vejo uma saída, aprovar a isonomia do risco de vida é uma maneira, junto com os 15%, de o governo corrigir uma injustiça, fazer com que a moral e a ética prevaleçam, além de deixar a categoria disposta e parcialmente contente para continuar o excelente trabalho que desenvolve, mesmo ganhando um dos piores salários do Brasil.
    ISSO É SER ESTRATEGISTA. LEIAM DEPOIS NESTE BLOG MATÉRIA QUE ENVIAIREI SOBRE O QUE É SER ESTRATEGISTA.

    ResponderExcluir
  5. Por falar nisso cade a reportagem sobre esse assunto,porque vc retirou ela?

    ResponderExcluir
  6. Vejam bem: aceitar este tal percentual (15%) é um tiro no nosso próprio pé. O governo nos oferece 15% fracionado, e se levarmos em consideração que até que venhamos a receber este percentual por completo, o indice da inflação acumulado neste período, pelos indices que já estamos acostumados, será muito superior a estes 15% que nos é proposto. O que é pior ainda, é que com este parcelamento, ficamos amarrados a um acordo de louco, que não nos permitirá pedir 1% sequer, até 2013, visto que quando da ultima parcela de 5% será em meados de julho de 2012, data que coincide com o período eleitoral, o qual é impeditivo para negociação salarial. Então, meus caros 15% dividido em 3vezes, é igual a salário defasado até 2013 e servidor "caladinho". E quanto ao risco de morte, faço das palavras dos demais internautas, vamos recorrer ao judiciário, ou vão nos empurrar uma E.A. goela abaixo.

    ResponderExcluir

Evite palavrões. Dê seu apoio, faça a sua crítica, mas com respeito a todos.