A Associação dos Militares Estaduais do Acre (AME/AC) se reuniu, na tarde ontem, dia 8, com militares indiciados pelo Inquérito Policial Militar (IPM). O objetivo do encontro foi dar apoio jurídico e político para o caso, traçando objetivos em conjunto.
De acordo com os militares o inquérito possui conotação política e mostrou-se uma quebra de compromisso do Governo do Estado com a categoria, já que a anistia ainda estava na mesa de negociação.
O apoio
De acordo com o presidente da associação, Isaque Ximenes, a entidade oferecerá total apoio jurídico através da banca de advogados e buscará também resolver a questão que viés político.
- Vamos estar ao lado de cada militar. Vamos dar apoio jurídico, acompanhar passo a passo essa questão. Também buscaremos conversar com os deputados federais e senadores a fim de termos anistia como tantos militares tiveram em todo o Brasil, disse.
Ainda essa semana, serão realizados contatos com os políticos do legislativo.
A perseguição
Entre todos os presentes, a idéia de perseguição do governo petista através do comando geral, que tem à frente, coronel José Anastácio, não descartável. De acordo com o inquérito, por exemplo, o subtenente Veríssimo da Costa Antrobos, não usou o microfone na manifestação, não estava no portão do quartel no dia do movimento mesmo assim foi indiciado. Quando o Blog 4 de Maio perguntou do porquê do indiciamento, o militar afirmou que é amigo do Major Rocha e que talvez esse fosse o motivo.
A vice-presidente da AME, Maria das Candeias, afirmou que sofreu perseguições depois do movimento.
- Eu já fui transferida cinco vezes, sofri assédio moral dentro da instituição, estou psicologicamente abalada com tudo isso.
Em defesa dos militares
O deputado Major Rocha conhece bem as perseguições do governo do PT e, para ele, essa é a face mais cruel daqueles que deveriam está ao lado dos trabalhadores.
- Que o governo era uma coisa e agora outra isso não é mais novidade, todo mundo sabe disso. O discurso em favor dos trabalhadores agora cede lugar para opressão, para a perseguição. O governador Tião Viana, através do comando da PM, estão querendo prender pais e mães de família que lutavam por melhores condições de trabalho e dignidade salarial, coisas que o próprio comandante geral deveria fazer, disse Rocha.
De acordo com o parlamentar, ele não ficará calado e vai denunciar a perseguição na PM, além de acompanhar passo a passo o andamento do inquérito. O deputado usou a tribuna, ontem, para criticar a postura do governo e do comando na elaboração da IPM.
- Estou a disposição dos indiciados, assim como estou à disposição de todos os militares da PM e do Corpo de Bombeiros, prometeu.
Os problemas do inquérito
Rapidamente os militares indiciados comentaram as falhas no inquérito. Um dos primeiros pontos levantados foi a ausência do direito de defesa em alguns depoimentos, como o da sargento Maria das Candeias e do subtenente Veríssimo Antrobos, que solicitaram o material que os oficiais afirmam condená-los para prepararem a defesa, receberam o material e não retornaram para depor.
O segundo ponto levantado é que as testemunhas elencadas são apenas os oficiais que realizaram as “Partes Militares”, que a todo momento se reuniam com o comandante geral para traçar estratégias para a acabar com o movimento e favorecer o governo.
O terceiro ponto é o IPM não considera a imunidade parlamentar do deputado major Rocha, que se encontrava no movimento como legítimo representante dos militares.
O major Paulo, que estava a frente do serviço reservado da PM no dia de movimento, em seu depoimento, afirma as imagens por ele capitadas através de uma filmadora da instituição estão em péssima qualidade e que não conseguiu registrar a imagem dos indiciados, exceto de um. Paulo relatou ainda que não tinha prática para filmagens e a máquina não tinha boa qualidade.
Habeas Corpus preventivo
Mesmo apresentando falhas, o inquérito pede prisão administrativa para todos os envolvidos, inclusive, para o deputado Major Rocha. Foi sugerido por Rocha que a banca de advogados produza um habeas corpus preventivo a fim de evitar que os militares sejam presos a qualquer momento. O receio é de que oficiais querendo agradar o governo e o comandante geral prendam os indiciados.